B- Carste em Arenito

27 octobre 2007, par Rubens Hardt
- Karst dans les grès - Sandstone karst

O conceito de carste foi estabelecido tomando por base relevo desenvolvido em rochas solúveis, especificamente rochas carbonáticas, notadamente o calcário. Assim sendo, o estudo da gênese e dinâmica das formas desenvolvidas neste contexto foi estreitamente relacionado com a solubilidade química das rochas carbonáticas, a ponto de se considerar a existência ou não de relevo cárstico apenas em calcários e dolomitos, ou em evaporitos, sob condições climáticas favoráveis.

Le concept de karst a été établi en prenant comme fondement les reliefs développés dans les roches solubles, plus particulièrement les roches carbonatées, et surtout le calcaire. De ce fait, l’étude de la genèse et de la dynamique des formes développées dans ce contexte, a toujours été étroitement associée à la solubilité chimique des roches carbonatées au point de considérer l’occurence d’un relief karstique uniquement dans les calcaires et les dolomies, et éventuellement dans les évaporites, dans des conditions climatiques favorables (voir le développement en portugais).

Com o passar do tempo e a evolução dos estudos, pôde-se observar que certas formas, definidas como cársticas, ocorriam em terrenos considerados “não cársticos”, sobretudo em função da natureza das rochas. A observação de formas cársticas em relevos de rochas com baixa solubilidade foi então, durante muito tempo, denominado pseudocarste, sem qualquer estudo ou verificação dos processos que as geraram. Observações nas últimas décadas, no entanto, têm apresentado evidências de dissolução química nestas rochas, evidências estas que podem ser encontradas nas áreas propostas para este estudo. A continuidade dos estudos mostrou que, embora a solubilidade pudesse não ser o processo predominante, estava presente e era determinante para o desenvolvimento das formas, mesmo em rochas consideradas “insolúveis”, na realidade, de muito baixa solubilidade. Trabalhos diversos (Young ; Young, 1992 ; Younger ; Stunell, 1995) apresentam exemplos de relevo cárstico em arenito, e discutem os diversos processos formadores e formas encontradas, que justificaram atribuir a aquelas áreas de estudo a atribuição de carste. No Brasil, trabalhos relacionados a cavernas areníticas descrevem evidências de dissolução química (Martins, 1985 ; Hardt, 2003), sendo também possível correlacionar a área de ocorrência destas cavidades com um carste em arenito (Hardt 2003). Inerente ao conceito de carste, inclui-se a necessidade da atividade química como condicionante das formas [White, 1988 ; Ford & Williams, 1989 ; Klimchouk & Ford 2000], portanto, para a existência dos fenômenos cársticos, existe a necessidade do intemperismo químico atuando sobre a rocha, como processo importante no desenvolvimento do carste. A pesquisa que vem sendo desenvolvida por nós objetiva estudar o problema sob o enfoque da morfologia, buscando utilizar a análise dos elementos morfológicos do relevo como representantes de verdadeiros fenômenos cársticos, demonstrando, através de evidências e testemunho nas rochas, em especial nas cavernas, comprovar o desenvolvimento de atividade química como processo importante para a esculturação do relevo com características de carste em rochas não carbonáticas, em especial nos arenitos. Os estudos em andamento envolvem duas áreas principais : A Serra de Itaquerí, em especial sua porção leste, próximo do município de Ipeúna (São Paulo), e a região da Chapada dos Guimarães, no estado do Mato Grosso, extremo leste do município de Cuiabá.

Referências Bibliográficas :

FORD, D. ; WILLIAMS, P. (1989). Karst Geomorphology and Hydrology. London, Unwin Hyman.

HARDT, R. (2003).Formas Cársticas em Arenito. Monografia de Especialização. UNESP.

KLIMCHOUK, B. A. ; FORD, D. C. (2000). Types of Karst and Evolution of Hydrogeologic Settings. In : KLIMCHOUK, B. A. ; FORD, D. C. ; PALMER, A. N. ; DREYBRODT, W. (editors) Speleogenesis - Evolution of Karst Aquifers. Huntsville (USA). National Speleological Society.

MARTINS, S. B. M. P. (1985). Levantamento dos Recursos Naturais do Distrito Espeleológico Arenítico de Altinópolis, SP. Monografia de especialização, UNESP.

WHITE, W. B. (1988). Geomorphology and Hydrology of Karst Terrains. Oxford University Press.

YOUNG, R. ; YOUNG, A. (1992). Sandstone Landforms. Berlin Heidelberg : Springer-Verlag.

YOUNGER, P. L. ; STUNELL, J. M. (1995). Karst and pseudokarst : An artificial distinction ? In : Geomorphology and Groundwater (Brown, A.G. ed.), John Wiley & Sons, pp. 121-142.

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